Casando na Bulgária – Parte II

wedding day

Depois de lidar com toda a papelada, eis que finalmente chegou o dia para assinar dos papéis.

Como agendamos pra um fim de semana, fomos “obrigados” a fazer a cerimônia, como contei aqui. Essas cerimônias no “hall” (algo como um cartório) tem hora marcada e é preciso ser extremamente pontual pois são realizados vários casamentos seguidos com um curto intervalo entre eles.

Geralmente são muitos convidados, os salões são enormes e devem ter capacidade pra até 100 pessoas pelo que vi. Agora imaginem só a confusão no final de cada cerimônia. O salão tem que praticamente ser evacuado pra entrada do próximo casal e seus respectivos convidados!

No nosso caso, éramos só nós, os pais do patner, os cunhados e os padrinhos. Aqui chamo a atenção pro fato de que na Bulgária não existe a tradição de o noivo não ver a noiva antes do casório. Tanto na igreja quanto no hall o casal entra junto, acompanhado dos padrinhos, que são super importantes nos rituais búlgaros. Por incrível que pareça, os padrinhos são mais importantes até que os pais dos noivos, que vão como simples convidados. POIS É.

Enfim, o nosso era o último do dia. Chegamos uns 15 minutos antes da hora marcada e ficamos todos em uma pré-sala aguardando o fim da cerimônia que antecedia a nossa. O negócio é tão dinâmico que não tem cadeiras nem pré-sala nem no hall onde acontece a cerimônia.

Como eu não fazia idéia de como funcionava o roteiro/esquema do hall e só tinha ido mesmo assinar os papéis, não dei a mínima pra comprar buquê e tão pouco alianças (que não usamos). O padrinho, consciente disso, foi atrás de um buquê e um par de pulseiras pra gente fazer a troca simbólica durante a cerimônia.

Quando ele chegou (atrasado, foi o último a chegar) e me deu o buquê, fiquei sem entender nada, até que o  funcionário do hall começou a alinhar a gente (eu, o partner, o padrinho de um lado e a madrinha do outro) de frente pra uma porta. Quando de repente a porta se abriu e começou a tocar a Marcha Nupcial (nãããããooooo!) e o funcionário começou a empurrar a gente pra entrar no hall!! Aí tem aquele tapetão vermelho e no fundo fica a juíza de paz com uma auxiliar. Os convidados, sejam eles 5 ou 100, entram atrás do noivos+padrinhos.

Depois que estão todos no hall, a juíza inicia a cerimônia… em búlgaro. A presença de tradutor não é obrigatória, então quem não fala búlgaro, tipo eu, fica lá fazendo cara de paisagem fingindo que tá de boas entendendo tudo. E a juíza fala, fala, fala… Enquanto ela tava falando pra geral tava tudo tranqüilo, tudo favorável, até que ela resolveu falar diretamente comigo o.O

Juiza
Juíza e a auxiliar Mortícia

O padrinho, vendo minha cara de “WTF?”, começou a tentar me dar pelo menos uma idéia do que ela tava falando e eu só no “hum-hum”. Depois veio aquele silêncio e o partner deu um apertão na minha mão: “Essa é a hora que você diz que sim!”  E eu, totalmente lost, soltei no automático “Dá!” (“sim” em búlgaro) e todo mundo riu, claro! Rs E então chegou a hora de trocas as alianças inexistentes e… supresaaaa! Surgiram as pulseiras que o padrinho havia providenciado hehehe Valeu, Best Man!

A seguir, assinamos o livro de registro e a juíza voltou a falar só comigo de novo. Oh Lord! Fala que eu escuto, irmã! Hahaha Ela foi vindo na minha direção com um papel em mãos e o padrinho foi traduzindo o falatório pra mim. O que ela tava segurando era a Certidão de Casamento e ao me entregar disse que era responsabilidade da esposa tomar conta dos “documentos da família”. Xá comigo! 😀 

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Certidão de Casamento búlgara

Mais um blábláblá e é a vez de surgir do além uma garrafa de champagne e taças (providenciadas pelo cunhado) pra eu e patner brindarmos. Fui em outro casamento e descobri que esse brinde faz mesmo parte do ritual. Ok, ok! Eu não sabia! 😛

Encerrada a cerimônia, fomos todos pra uma “pós-sala”. Numa cerimônia convencional, é a hora que os convidados cumprimentam os noivos. Como na nossa só tinha a gente mesmo, tiramos fotos, brindamos todos, sei lá de onde surgiu uma caixa de chocolates suíços, então comemos também.

Geralmente, depois do ritual do hall, ou primeiro o povo segue pra igreja, pra cerimônia religiosa, e/ou vai direto pra recepção em algum buffet, que lá, apesar de ser uma casa de festas, eles chamam de “restaurant”. Acho que eles não tem um nome específico pra casa de festas e ampliaram o conceito de restaurante, vá saber! rs

No nosso caso, nós fomos pra um restaurante (de verdade) e depois partimos pra um bar encontrar com os amigos no aniversário de um brother do partner. E foi muito legal contar a novidade pra todo mundo junto já que ninguém sabia! HÁ! 😉

Ah! Nos casamentos búlgaros, religiosos ou civis, os convidados levam flores pros noivos. Claro que eu também não sabia disso hehehe Qualquer dia desse conto como foi um típico casamento tradicional búlgaro do qual participei do começo ao fim. Posso adiantar que é uma verdadeira maratona! Durou mais de 12 horas e teve 100 convidados!!! Cês imaginem o tanto de flores que esses noivos ganharam! hahaha Surgiu até um vaso de plantas enoooorme de presente no meio da festa!! Mas isso é assunto pra outro post…

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Flores lindas que ganhamos <3

No mais, a próxima etapa pra quem pretende morar na Bulgária é conseguir o Visto “D”, de longa estadia. Em breve vou relatar como foi a minha saga pra conseguir o visto por míseros 6 meses. Fiquem ligados!

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